Um grupo de rpg se forma e quer jogar o quanto antes. Você, como sempre, não tem tempo para preparar uma nova aventura que agregue a história dos personagens e que possa se desenvolver num arco legal para todos os jogadores. O que fazer?
É ai que o Forte das Terras Marginais entra.
Esse produto já foi lançado faz algum tempo e creio que todas as pessoas que gostem de rpg old school saibam alguma coisa sobre ele, pra quem não sabe: essa aventura é uma releitura feita pelo Rafael Beltrame da clássica Keep on the Borderlands, originalmente escrita por Gary Gygax.
Não considero uma melhor que a outra, cada uma tem seus pontos fortes e fracos. Recomendo a leitura da aventura original pois foi escrita por Gygax e é incrível a habilidade dele de sempre incluir grandes sacadas sobre como mestrar aventuras de forma livre e focada nos jogadores.
Se essa aventura já foi lançada faz tempo e várias resenhas boas já foram escritas, por que escrever um post sobre ela agora? Porque jogar uma aventura nesses moldes para quem, como eu, começou a jogar efetivamente com os rpgs mais novos exige alguma experiência que só é entendida depois de algumas sessões e é dela que eu gostaria de falar aqui.
A primeira coisa que você nota ao ler essa aventura é que não há uma história por trás de tudo. Existe um forte e sua descrição, os arredores do forte e sua descrição e por fim existe as cavernas e... sua descrição. Bom, é uma aventura Old School e é sobre isso que elas se tratam, não é? Exploração detalhada e perigos.
Foi isso que pensei quando li e joguei ela com um grupo pela primeira vez.
O primeiro grupo de aventureiros chegou ao forte já com seus itens e algum background e quando atravessaram o grande portão daquele lugar e então nada aconteceu, apenas estavam do lado de dentro. Começaram a explorar o lugar e conhecer algumas pessoas (tanto eles quanto eu, como mestre, descobrindo essa nova forma de jogar). Como não havia nada pré definido, tudo foi sendo levado pelos personagens e suas interações. Se não gostavam de algum NPC, logo começavam as indagações dos jogadores sobre as intenções daquela pessoa e, se gostavam, contavam seus planos e iam formando novas histórias. Quando descobriram sobre as cavernas, acharam uma boa ideia ir para lá e verificar, afinal, existia uma recompensa só por algum relatório que indicasse alguma atividade fora do normal. Bom... foi uma expedição completamente desastrosa, já que o anão, em uma investida completamente temerária, foi esmagado pelo ogro que acompanha os bandidos na ponte. Mas todo mundo se divertiu, a sessão foi um sucesso.
Outras sessões de sucesso se seguiram, até com outros grupos e esse clima de "aventura livre" sempre continuou a evoluir e melhorar, até que eu entendi aqueles comentários sempre presentes nas aventuras antigas "essa aventura é sua, modifique o que achar necessário para agradar todo o seu grupo e para que ela fique com a sua cara". Isso aconteceu quando comecei a introduzir alguns NPC com mais história e objetivos no forte; pessoas que estavam lá e faziam suas coisas independente das ações dos personagens e, caso eles se encontrassem, os personagens teriam informações extras sobre o que andava acontecendo por ali.
O escriba passou a ser um espião de um culto antigo que adorava um deus dragão maligno que ascendeu ao posto após uma antiga batalha entre exércitos comandados por dragões. Os cultistas padrões também passaram a adorar esse deus e, então, existia uma história por trás da reunião dos goblinoides. Em oposição ao deus dragão maligno eu inclui NPCs que serviam ao dragão que comandava as forças do bem nessa antiga batalha. Os jogadores poderiam escolher suas afinidades e tomar suas decisões a partir dai, caso resolvessem se envolver, é claro.
Bom, é isso, queria compartilhar com vocês a ótima experiência que essas aventuras "sem história" podem se tornar.
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
A minha experiência com Old School
Morava com um primo e, num belo dia, ele chegou com um conjunto de RPG, coisa diferente. Não era só uma revista que falasse sobre a coisa, era o jogo mesmo! Não sei de onde, mas ele havia arrumado uma caixa do First Quest. Eu tinha uns 10 anos na época.
Aquilo teve um impacto gigante em mim. Aquele estojo com o guerreiro e o dragão, aquelas miniaturas, as fichas prontas, o livro de monstros, aquelas ilustrações lindas (e que não eram mangá!). Tudo fazia minha imaginação ir nas alturas; naquela época eu escutava o exemplo de jogo que vinha no CD todos os dias.
É claro que eu só poderia ler os folhetos de regras, as magias e quando muito, dar uma olhadinha no livreto dos monstros, afinal, o mestre era meu primo. Mas jogamos uma vez só e o mestre insistia que eu tinha que invadir as salas na ordem escrita no livro, pois só assim ele poderia usar o CD. A partida foi bem frustrante, mas eu tinha claro na minha mente que ele deveria ter feito alguma coisa errada.
Como não jogamos nunca mais, acabei lendo todas as aventuras. Pra mim, ler aquilo era como jogar a aventura, e eu li aquelas aventuras MUITAS vezes.
Eu percebi logo a desvantagem do tal kit iniciante. Não havia regras para criar personagens e aquilo parecia realmente estranho, por que eu não poderia fazer meu próprio aventureiro? Lembro que foi um tempo depois que percebi isso que meu primo apareceu com um Livro do Jogador de AD&D. Não larguei o livro por dois dias, mas o negócio era emprestado e quando foi devolvido, cortaram-se meus laços com aquele enorme mundo de possibilidades. Só ficava lembrando de algumas regras para criar personagens e também das imagens do livro.
Bom, eu era extremamente tímido para tentar mestrar e nunca conheci ninguém que jogasse efetivamente um sistema de fantasia medieval. Anos depois acabei entrando para um grupo de Vampiro: a Mascara e joguei por anos com eles, mas sempre me lembrava daqueles monstros e das perigosas cavernas.
O Próximo contato que eu tive com o D&D foi já na 3ª edição. Aquele livro bonito, cheio de imagens coloridas e super bem desenhadas me pegou completamente. Joguei algumas aventuras com um amigo meu, ele era um ótimo mestre e me lembro de ótimos momentos até hoje, como quando um dos vilões nocauteou com uma pedrada o halfling ladrão do grupo que voava sorrateiramente por cima dele, mas foi percebido. Bons tempos, mas acabei me mudando e nunca mais joguei com essa galera.
Mas todo aquele gosto pelo RPG havia voltado, os vampiros que fossem pro inferno, eu gostava era de espadas e dragões! Até jogar novamente.
Na cidade onde passei a morar conheci várias pessoas que jogavam D&D 3.5. Em geral, todos eram jogadores que amavam fazer combos com aquelas milhões de habilidades e as conversas após o jogo sempre giravam em torno de qual talento pegar no próximo nível ou então sobre como fazer tal habilidade mais forte, classes de prestigio (que eu sempre odiei e ocupavam mais da metade de qualquer material publicado). Aquilo era totalmente frustrante eu passei a detestar aquele sistema, onde estava aquela aventura toda da tal fantasia medieval (hoje entendo que o sistema guia o estilo de jogo, mas que eu acabei dando azar nos grupos que achei)?
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| Essa imagem, comparada à primeira do texto e que vinha no First Quest, sempre me deixou extremamente broxado em relação a aparência dos personagens. O que diabos é esse halfling?! |
Deixei de jogar novamente e me mudei mais uma vez. Foi quando, totalmente por acaso, encontrei o beta do old dragon e conheci a OSR e o estilo Old School. Era isso que eu jogava na minha adolescência e gostava, finalmente havia entendido! Comecei a procurar materiais antigos e a ler tudo sobre o assunto.
Aquele encanto havia voltado. As ilustrações clássicas, os textos literários, as regras que poderiam ser ignoradas. Me senti novamente acolhido pelo hobbie e deste então, nunca mais larguei o jeito velho de jogar (mesmo tendo jogado muito pouco na época em que ele era "o jogo da vez").
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
& Magazine!
Procurando por alguma dicas sobre como desenvolver uma campanha dentro de uma cidade grande eu acabei esbarrando, por acaso, no site dessa revista online, a & Magazine, uma revista de RPG online e gratuita.
Não encontrei o que procurava sobre campanhas em cidades, mas tudo bem, já que essa revista é ótima!
Cada & Magazine é temática e reúne os pesamentos, dicas e vivências de mestre e jogadores que estiveram na escola velha antes de ela ser velha.
A primeira edição, única que eu consegui ler inteira até agora, é simplesmente fantástica. Ela trás vários pensamentos sobre grupos de personagens que ainda estão nos primeiros níveis e explica tanto na ótica de mestre quanto de jogador como tirar o melhor proveito disso.
O que mais me impressionou enquanto lia essa revista era a sensação de estar lendo algo da antiga TSR. Sabe aquela coisa feita de jogador pra jogador, com um tom intimista? Você vai encontrar na revista não só as estatísticas sobre os monstros, itens e outras coisas, mas também o porque do funcionamento e explicações pra deixar tudo verossímil.
Além disso, elas trazem também mini aventuras, itens mágicos, contos de fantasia e tudo mais o que é necessário para uma boa revista de RPG Old School!
Entre no site e leia, não tem como se arrepender: http://www.and-mag.com/home.html
Não encontrei o que procurava sobre campanhas em cidades, mas tudo bem, já que essa revista é ótima!
Cada & Magazine é temática e reúne os pesamentos, dicas e vivências de mestre e jogadores que estiveram na escola velha antes de ela ser velha.
A primeira edição, única que eu consegui ler inteira até agora, é simplesmente fantástica. Ela trás vários pensamentos sobre grupos de personagens que ainda estão nos primeiros níveis e explica tanto na ótica de mestre quanto de jogador como tirar o melhor proveito disso.
O que mais me impressionou enquanto lia essa revista era a sensação de estar lendo algo da antiga TSR. Sabe aquela coisa feita de jogador pra jogador, com um tom intimista? Você vai encontrar na revista não só as estatísticas sobre os monstros, itens e outras coisas, mas também o porque do funcionamento e explicações pra deixar tudo verossímil.
Além disso, elas trazem também mini aventuras, itens mágicos, contos de fantasia e tudo mais o que é necessário para uma boa revista de RPG Old School!
Entre no site e leia, não tem como se arrepender: http://www.and-mag.com/home.html
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