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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Jogando com o Forte das Terras Marginais

Um grupo de rpg se forma e quer jogar o quanto antes. Você, como sempre, não tem tempo para preparar uma nova aventura que agregue a história dos personagens e que possa se desenvolver num arco legal para todos os jogadores. O que fazer?

É ai que o Forte das Terras Marginais entra.


Esse produto já foi lançado faz algum tempo e creio que todas as pessoas que gostem de rpg old school saibam alguma coisa sobre ele, pra quem não sabe: essa aventura é uma releitura feita pelo Rafael Beltrame da clássica Keep on the Borderlands, originalmente escrita por Gary Gygax.
Não considero uma melhor que a outra, cada uma tem seus pontos fortes e fracos. Recomendo a leitura da aventura original pois foi escrita por Gygax e é incrível a habilidade dele de sempre incluir grandes sacadas sobre como mestrar aventuras de forma livre e focada nos jogadores.

Se essa aventura já foi lançada faz tempo e várias resenhas boas já foram escritas, por que escrever um post sobre ela agora? Porque jogar uma aventura nesses moldes para quem, como eu, começou a jogar efetivamente com os rpgs mais novos exige alguma experiência que só é entendida depois de algumas sessões e é dela que eu gostaria de falar aqui.
A primeira coisa que você nota ao ler essa aventura é que não há uma história por trás de tudo. Existe um forte e sua descrição, os arredores do forte e sua descrição e por fim existe as cavernas e... sua descrição. Bom, é uma aventura Old School e é sobre isso que elas se tratam, não é? Exploração detalhada e perigos.
Foi isso que pensei quando li e joguei ela com um grupo pela primeira vez.


O primeiro grupo de aventureiros chegou ao forte já com seus itens e algum background e quando atravessaram o grande portão daquele lugar e então nada aconteceu, apenas estavam do lado de dentro. Começaram a explorar o lugar e conhecer algumas pessoas (tanto eles quanto eu, como mestre, descobrindo essa nova forma de jogar). Como não havia nada pré definido, tudo foi sendo levado pelos personagens e suas interações. Se não gostavam de algum NPC, logo começavam as indagações dos jogadores sobre as intenções daquela pessoa e, se gostavam, contavam seus planos e iam formando novas histórias. Quando descobriram sobre as cavernas, acharam uma boa ideia ir para lá e verificar, afinal, existia uma recompensa só por algum relatório que indicasse alguma atividade fora do normal. Bom... foi uma expedição completamente desastrosa, já que o anão, em uma investida completamente temerária, foi esmagado pelo ogro que acompanha os bandidos na ponte. Mas todo mundo se divertiu, a sessão foi um sucesso.

Outras sessões de sucesso se seguiram, até com outros grupos e esse clima de "aventura livre" sempre continuou a evoluir e melhorar, até que eu entendi aqueles comentários sempre presentes nas aventuras antigas "essa aventura é sua, modifique o que achar necessário para agradar todo o seu grupo e para que ela fique com a sua cara". Isso aconteceu quando comecei a introduzir alguns NPC com mais história e objetivos no forte; pessoas que estavam lá e faziam suas coisas independente das ações dos personagens e, caso eles se encontrassem, os personagens teriam informações extras sobre o que andava acontecendo por ali.


O escriba passou a ser um espião de um culto antigo que adorava um deus dragão maligno que ascendeu ao posto após uma antiga batalha entre exércitos comandados por dragões. Os cultistas padrões também passaram a adorar esse deus e, então, existia uma história por trás da reunião dos goblinoides. Em oposição ao deus dragão maligno eu inclui NPCs que serviam ao dragão que comandava as forças do bem nessa antiga batalha. Os jogadores poderiam escolher suas afinidades e tomar suas decisões a partir dai, caso resolvessem se envolver, é claro.

Bom, é isso, queria compartilhar com vocês a ótima experiência que essas aventuras "sem história" podem se tornar.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

& Magazine!

Procurando por alguma dicas sobre como desenvolver uma campanha dentro de uma cidade grande eu acabei esbarrando, por acaso, no site dessa revista online, a & Magazine, uma revista de RPG online e gratuita.
Não encontrei o que procurava sobre campanhas em cidades, mas tudo bem, já que essa revista é ótima!


Cada & Magazine é temática e reúne os pesamentos, dicas e vivências de mestre e jogadores que estiveram na escola velha antes de ela ser velha.
A primeira edição, única que eu consegui ler inteira até agora, é simplesmente fantástica. Ela trás vários pensamentos sobre grupos de personagens que ainda estão nos primeiros níveis e explica tanto na ótica de mestre quanto de jogador como tirar o melhor proveito disso.
O que mais me impressionou enquanto lia essa revista era a sensação de estar lendo algo da antiga TSR. Sabe aquela coisa feita de jogador pra jogador, com um tom intimista? Você vai encontrar na revista não só as estatísticas sobre os monstros, itens e outras coisas, mas também o porque do funcionamento e explicações pra deixar tudo verossímil.

Além disso, elas trazem também mini aventuras, itens mágicos, contos de fantasia e tudo mais o que é necessário para uma boa revista de RPG Old School!

Entre no site e leia, não tem como se arrepender: http://www.and-mag.com/home.html

sábado, 21 de julho de 2012

Dragon Age: Redemption, web série


A série é tão bacana que muita gente já conhece, mas às vezes tem algum desavisado que passa perdido por aqui e nunca ouviu falar dela. Essa é minha dica para você, senhor perdido :D

Dragon Age: Redemption é uma web série escrita por Felicia Day, aquela moça bem simpática que criou também The Guild, uma “web novela” contando a história de um clã de World of Warcraft (mesmo que não admitam isso durante os episódios).
A ambientação dos jogos do Dragon Age são ótimas, várias novas idéias e ganchos que podem ser aproveitados em nossas campanhas, em vez de jogar RPG, a moça usou tudo isso e escreveu uma história cheia de bons momentos, tanto de aventura quanto psicológicos e emocionais. Garotas ganham um bônus para escrever bem, eu acho huahauau.

A protagonista, uma elfa assassina escrava (ô vidinha dura), recebe uma ordem direta de seus superiores: deve prender um mago muito perigoso que está foragido.
Nessa jornada ela conhece outros personagens e acaba se aliando a eles por motivos “em comum”. Cada personagem está em busca de algo diferente, interesses e personalidades entram em choque na maior parte do tempo, e esse é o ponto forte da série em minha opinião, os conflitos entre os personagens são muito bem explorados.

Meu padrão de filmagem não é muito alto, mas a qualidade da série é bem grande em relação aos cenários, montagem das cenas e falas. As roupas e armas, que normalmente são péssimas nesse tipo de produção, estão bem bacanas também!

O negócio é assistir o primeiro e ver o que você acha!

 

terça-feira, 10 de julho de 2012

This journey... is a quest!


Bem, estamos quase no dia da estreia da segunda temporada de Journey Quest. Uma série divulgada apenas na internet, mas com aquele gosto de coisa de fã pra fã e feita com muito cuidado.
Como a maioria das coisas boas, é feita por uma companhia independente. A Dead Gentlemen Productions têm algumas das produções mais toscas e nerds que eu já vi, e são ótimas! Entre elas, está Journey Quest, que é a ultima série de trabalho deles e foge um pouco da usual tosquice e atinge um bom nível de qualidade de imagens.
Para dar uma ideia geral, aqui vai um pedaço do filme The Gamers: Dorkness Rising, o segundo da série The Gamers.


Bom, agora que estão devidamente avisados, vamos ao Journey Quest.
A série conta a história de um grupo de aventureiros em um mundo medieval fantástico que está à procura de um artefato poderoso e perdido.  Bem comum, né?
Mas tudo é contado de forma inédita. Algumas cenas são mostradas mais de uma vez e as vezes em episódios diferentes, hora sob o ponto de vista dos heróis e hora sob o ponto de vista dos orcs, por exemplo, que inclusive tem uma língua própria no filme e as vezes uma terceira vez, do ponto de vista da barda!
O humor é frequente, mas foge daquele humor pastelão comum e temos o pastelão medieval fantástico!
Sei que é uma indicação curta e que não diz tudo que a série merece, por isso aqui vai o primeiro episódio para que você possa ver por você mesmo e tirar suas conclusões. Aposto que vocês vão querer assistir até o ultimo e ver se eles realmente conseguem chegar no Temple of all Doom!  Ah, e por ultimo mas não menos importante, para ativar a legenda basta clicar em 'CC', na barra do vídeo.Onward!




quinta-feira, 5 de julho de 2012

A estilha de cristal


 "Mesmo não estando nessa cena, vou tentar parecer poderoso para impressionar na capa!"
Estranho, mas verdade. Quem conhece sabe : D

 Lembro que quando eu era mais novo, vi a resenha desse livro em algum lugar, talvez na Dragão Brasil. Sinceramente, não tenho ideia do que ela falava, mas fez o livro entrar em um hall particular que eu tinha: coisas de RPG que eu queria ter mas não tinha grana para comprar.
 Creio eu que esse titulo esteja esgotado, pois faz mais de um ano que procuro – admito que sem um afinco muito grande – por lojas online como Submarino, Americanas e Saraiva. Fui encontrar um exemplar a cerca de três semanas no Sebo do Messias, um sebo online com bastante coisa boa.
 Vamos ao livro; Bruenor, Wulfgar, Régis e Drizzt são os quatro personagens principais do primeiro livro do conhecido R. A. Salvatore para o mais conhecido ainda cenário de campanha Forgotten Realms. Não há uma história no livro e sim várias. No meio do livro eu me perguntava: “mas se isso acabar acabou o livro!”. Mas depois tudo se aprofundava mais e vinham novos detalhes e a trama ganhava outro rumo, ponto pro Salvatore.
 Vi pela internet vários comentários sobre esse ser um livro fraco, principalmente pelos personagens que são normalmente vistos como rasos e sem muitos detalhes. Particularmente, acho que isso seja uma escolha e não um defeito.
 O livro conta a história da Estilha de Cristal – um poderoso e milenar artefato maligno que rouba a luz do sol para se fortalecer – conta a história de uma guerra antes da estilha entrar em ação, detalha uma comunidade bem grande. Quero dizer com tudo isso, que acho que foi proposital a escolha por esse tipo de escrita. A meu ver, inclusive, os personagens são muito bem descritos e detalhados. A história tem um ritmo bem frenético e todas as cenas contêm detalhes RPGisticos muito legais para nos inspirar e sempre que há uma brecha, os personagens ganham características e a história deles é aprofundada.
 Há uma única coisa que me incomodou um pouco, admito que seja fã de Forgotten (dar) e que li o livro com tanta vontade que seria difícil não gostar, mas os clichês realmente são muito constantes. A estilha lembra muito o Um Anel, do Senhor dos Anéis, Wulfgar é uma cópia do Thor (inclusive com o martelo), o anão é bem rabugento e tem um amigo elfo e por ai vai. O que muda tudo são os passados de cada um e o caráter que eles têm, são meio como o Rambo, destroem tudo e lutam pelo bem mas os conflitos estão lá individualizando eles, não há como não gostar.
 Sinceramente, não gosto de me aprofundar na história mas digo para quem tiver interesse: leia, vale a pena. 

Salvatore à esquerda e Elmist... ops... Ed Greenwood à direita

Ps.: E ainda tem uma luta com um dragão branco!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Labirinto, ‘radionovela’ de ótima qualidade!

  A algum tempo atrás comprei duas revistas Dragon que estavam na promoção na d3store. Em uma delas havia uma matéria sobre um tal programa de rádio que era transmitido pela Rádio USP.
 Achei muito legal, pensei o quanto deve ter sido bom ter tido a oportunidade de poder escutar esses programas.
 "Escutava todos os dias, bons tempos!"

 Meses depois  relendo a matéria decidi procurar na internet por alguma informação extra sobre o programa de rádio. O primeiro item que apareceu na minha pesquisa no Google foi nada menos que um site dedicado ao programa! Ainda não estava no ar e demorou um bom tempo para realmente ter conteúdo disponibilizado (talvez eu estivesse ansioso para ver o conteúdo e nem tenha demorado tanto tempo assim).
 Quando finalmente – hehe – o site veio ao ar de forma completa, uma tonelada de conteúdo dos antigos programas foi disponibilizado. O ouvinte João Matos havia gravado o conteúdo do programa entre o ano 1994 até 1995 durante todos os sábados e domingos, do meio dia a uma hora da tarde.
  Baixei e escutei minha primeira ‘radionovela’, a qualidade da novela era ótima! Nunca havia imaginado que realmente gostaria de escutar uma radionovela, sempre que alguém de idade fala sobre uma radionovela que gostava ela costuma ser de romance daqueles bem melequentos e o tema não me chama muito a atenção. Mas aqui as coisas são diferentes.
 Não tenho conhecimento nenhum sobre radionovelas e por isso não possuo parâmetro para comparação, mas a qualidade técnica dos programas me agradou. Os roteiros são simplificados, mas em momento nenhum notei falta de qualidade e é bom às vezes vermos como um gancho ou tema que hoje em dia pode ser clichê foi abordado pela equipe de produção há quase dez anos atrás. E também não preciso falar que o programa é um baú de personagens, personalidades, temas e ideias para RPG, não é?

 "Parar o treino você deve, hora de escutar a radionovela do Labirinto já é."

 Existem também novos contos em produção e da mesma forma como eram feitos antigamente, pedem a ajuda do ouvinte para decidir qual rumo a historia irá tomar. Basta escutar a história e votar em uma das opções disponíveis no site!
 Creio que o projeto tenha voltado à ativa por puro prazer dos – ou de algum – integrantes e não seja algo que renda dinheiro. As histórias novas caminham a passos bem lentos, mas vale a pena a conferida e também um voto no futuro da trama, quem sabe assim eles não animam e começam a produzir matéria com mais regularidade.

Visitem o site e baixem alguma história, não vão se arrepender.
http://www.prisioneirosdaimaginacao.com.br

domingo, 13 de maio de 2012

Dragonslayer, uma vila oprimida e um herói disposto a arriscar sua vida para realizar o bem



[Creio que essa resenha possa ser lida sem medo de spoilers]

Dragonslayer é um filme de fantasia que foi exibido em 1981.
Da mesma forma que os nossos queridos módulos de aventuras old school ele vai direto ao ponto, diferente de exibições cinematográficas de hoje em dia, e também dos módulos de aventura, que tendem a mostrar muitos conflitos juntos e vários personagens complexos. Não, aqui a coisa é muito mais simples.
As primeiras cenas são as melhores e já valem o filme todo.
Ao ser visitado por camponeses que procuram ajuda, um poderoso mago é mostrado de uma forma que eu nunca havia pensado. Seu assistente recebe os camponeses na porta e avisa o mago da presença incomoda dos visitantes. O mago decide que os iria receber e então começa a arrumar sua torre e vestimentas para parecer o mais mágico e impressionante possível, um toque muito legal.
A trama que vai se desenrolar durante o filme é revelada no encontro do mago com os camponeses. Um dragão exige, todos os anos, um sacrifício humano para deixar o reino em paz. Fartos disso, os camponeses buscam a ajuda do único mago que ainda vive no mundo. A tarefa é simples, combater e matar o dragão.
Durante o filme outro fato me chamou a atenção, os personagens morrem. O mundo é perigoso, enfrentar um dragão também e ponto. Não há heroísmo que detenha uma espada no coração ou vigor que evite uma baforada de dragão a ponto de fazer com que um simples humano continue vivo.
Durante o desenrolar da trama principal aparecem outros personagens e esses ganham alguma profundidade. Detalhes obscuros sobre o dragão são revelados e também sobre o Rei e o odiado pacto com o dragão. Tudo isso com cenários muito bonitos ao fundo.
Um destaque especial vai para as aparições do dragão. Creio eu que em 1981 devia ser mais real que a própria realidade e não ficou devendo nada em quesito de horror para a imaginação de ninguém, vale realmente uma conferida no quanto os efeitos especiais da época eram capazes.

 (ops... ferrou)

Não é o melhor filme do mundo, mas conta com ganchos, cenas, itens e abordagens que o tornam um ótimo filme para quem aprecia fantasia medieval. Inova em algumas formas de contar as coisas, mostra detalhes que são grandes sacadas em enredos de fantasia e o faz valer como uma ótima diversão em uma manhã do final de semana.